Não queres casar pois não? Digo casar pela igreja, com festa e muitos convidados… Não, pois não?
Nem te mexes no sofá, e a revista que folheavas está parada na mesma página há pelo menos dois minutos.
Dá muito trabalho essa coisa toda, muita preocupação. E a mim deprimem-me as noivas naquela agonia branca de tule e organza, ou em forma de rebuçado com vestidos de seda selvagem… Tristes com o penteado, com penteados que eu nunca vi… Penteados que devem atrapalhar a noite de núpcias… Não pois não?
Tanta gente, tanta pintura na cara, tantos homens estrangulados de gravata, todos eles aborrecidos… Mulheres a desafiarem a gravidade em cima de saltos vertiginosos, vestidos que apertam, sapatos que magoam… Todos eles aborrecidos, com hora marcada para se sentirem ou fingirem felizes… Tão previsíveis lágrimas, tão previsíveis sorrisos de fotografia…
Tanto cenário para tão mal inspirado elenco!
Depois há sempre um violino, na igreja, e uma voz feminina, que nunca vejo, julgo até que são sempre os mesmos… Há sempre arroz… Há sempre alguém com um fato bege… Há sempre alguém a ir ao carro para trocar de sapatos… Há sempre espumante mau…
Não queres casar pois não? Digo casar pela igreja, com festa e muitos convidados…
Continuas a folhear a revista, reparo agora que é de moda e que tem um suplemento de vestidos de noiva…
Não, pois não?