terça-feira, 10 de abril de 2012

Dia 74


Quantas tinha não sei, mas era menino para ter várias, uma em cada canto para evitar encontros ao centro, onde se situava com a que intitulava de “oficial”. Não era especialmente bonito, mas quando fisgava uma dava caso na certa. Nunca lhe perguntei como conseguia, provavelmente não o saberia também, acontecia-lhe, e como depois sem remorsos, levava a vida a sorrir. É certo que telefonemas controlados e saídas nocturnas bem preparadas, um “reset” nas chamadas quer recebidas quer feitas, não fosse a “oficial” tropeçar numa Rita ou numa Andreia que não primas e ia tudo por água abaixo.
Agora quantas tem não sei, não me perguntes, é menino para não ter nenhuma, a oficial passou a mulher, metem-se os sogros e pais ao barulho e sabes como é: um gajo amansa. Julgo que agora até nem com a mulher, já lhe fez os filhos, e eles passaram-lhe à frente. Vi-o há dias, de cabeça metida nos ombros a passear os carrinhos junto ao parque infantil, disse-lhe
- Como é Toni
e ele levantou os olhos de um boião de papa e sorriu, nem sequer
-Olá
nem nada, com a mulher a dar-lhe cotoveladas, porque a colher de papa já no nariz do menino, e parece-me que ainda a ouvi dizer
-Seu palerma
e ele
- Calma “môr” .