- É outra vez natal!
Numa ladainha ensurdecedora de rimas emparelhadas, que tornam imediatamente a minha sobrinha de quatro anos em prémio nobel da literatura. O animal (demasiado) insinuante, já me pareceu mais gordo, mas deduzo que tal como noventa e nove por cento da população portuguesa, deve ter começado a correr. Mal oiço,
- É outra vez natal!
sai-me um,
- Oh caralho!
eu sei que um
- Oh caralho!
pode não ficar bem aqui, mas
- Oh caralho
foi o que me saiu, seguido do pensamento
- Ainda não comprei nada.
Numa manobra arriscada, fui a um centro comercial, saí vivo, mas não ileso. Elaborei um plano, para não coincidir com toda a gente,
Oh caralho!
Falhou. E gente aos magotes. Eu detesto gente aos magotes, e eu no magote de gente portanto a detestar-me.
Gosto mais de pessoas. O meu natal são pessoas, e essas não aos magotes, são raras e únicas e porque únicas: faltam-me. Faltam-me pessoas no presépio. Talvez que para o ano convide o animal, porque parece que,
- É festa total!
Seja lá o que isso for.