sexta-feira, 8 de abril de 2011

Dia 37


Surpreender... Temos que nos deixar surpreender! Com a Inês vivi tantos anos, que mesmo quando me fazia uma surpresa, não me surpreendia. Ficava eu ali à espera de ser “grande” para partir para o desconhecido. Partir para o desconhecido assusta, mas faz-nos vivos, faz-nos sentir, faz-nos pensar e surpreender e rir e envergonhar...
Os sentimentos não se podem comparar, o amor não é mensurável, não se pode comparar se nos queremos abertos para a surpresa... A comparação limita. Uma alma aberta à surpresa, arrisca-se à imensidão do sentir.
Não sei porque te digo isto Sara, ou melhor, sei, digo-te isto para que percebas, que me aconteceste porque não procurei, por que me dei à indefinição da surpresa, à insegurança do desconhecido e não caí na tentação de comparar!
Prefiro assim em todos os testes da vida, tirar “Excelentes” e até “Medíocres”, a ter a triste monotonia de um “Satisfaz” de um “Sofrível” ou de um “Regular”. Prefiro o júbilo e o desespero, ao bocejo de um sofá!
Tenho a felicidade e o discernimento de não pôr o meu coração de pantufas e a minha alma de roupão!
Não me esqueço que o medo de sofrer, é o mesmo que me impede de ser feliz.
Por tudo isto, Sara, digo que te amo! Por isso o digo sempre que sinto, sem medo nenhum!
Porque assim, se eu morrer hoje, amanhã saberás que te amo...