Há pessoas vestidas de açúcar. Pessoas com tanta ternura a tornarem-me a vida redonda, não fácil, redonda, sem arestas nem farpas. Todas as que amo. E que de certeza me amam a mim. Penso sempre que não as mereço, que me falta um pouco mais de generosidade e atenção. Sinto-me bruto perto delas, não lhes chego aos calcanhares, são pessoas vestidas de açúcar que se dissolvem para me adocicar. Tantas expressões de amor, num beijo de um cumprimento e numa mão a descer pelo braço a medir o pulso da nossa alegria, num telefonema de melhoras quando ninguém sabe que estás doente, num gesto generoso a empurrar o açúcar para junto do nosso café, numa pancada nas costas de um amigo, num dobrar de lençol, numa carícia de mãos, num colo quente que nos espera mudo, mas não surdo, para nos sossegar.
Dizem-me meigo e afectuoso, sinto-me bruto.
Há pessoas vestidas de açúcar, ocorre-me chamar-lhes de anjos (anjos parece-me piroso), e que de tão anjos vestidos de açúcar, me ocorre abraçar-vos com cuidado, com medo de vos quebrar uma asa.