E todo o amor de agora, amor como nunca fiz nem senti, se explicou assim na minha cabeça. Entre o mar e a casa... O rádio dormiu...Explicou-se assim:
Era pele, era cabelo, era perfume,
Era sentir saliva tua em mim!
Eram lençóis e roupas espalhadas,
Era estarmos os dois todos ali!
Era um estar pleno e quase etéreo...
Um estar definitivo um estar para sempre.
As tuas mãos todas em mim e por todo o meu
As minhas agarrando todo o teu,
Corpo que dançava sobre e sob mim.
Um prazer de sentir tão brutal!
Sentir passar-se quase a animal!
Querer morrer ali naquela hora...
Não sair mais da cama fora,
Porque está ali tudo no colchão,
Pés nos pés mão na mão,
Coxas que colam,
Braços se enrolam,
O tempo pára ali mais que uma vida.
O minuto passa a hora,
e eterno, demora, suspenso naquela paixão.
E um segundo pára a vida no meio daquele colchão.
O relógio pára a corda!
Não interessa quem me acorda,
Que eu acordar não quero não!
Quero morrer naquele segundo!
Onde o amor não respira,
Quando somos só nós e o mundo!
Sentir todo o bem que já vivi,
Suster todo o amor que há em mim,
E no passar do segundo,
Suspenso dentro de ti,
Já não há outro mundo.
Só tu suspensa em mim...
E posso então morrer aqui,
E posso então morrer assim!