Passados os últimos dias a deambular preguiçoso pelas ruas do meu bairro, a parar no café, a ler o jornal, a comprar a lotaria ao senhor Antunes, a dizer bom dia a quem passa, apercebo-me que estou na vida como quero, ou seja, como sempre imaginei. E sempre me imaginei assim, despojado de todo o excesso material, com o qual me enganava e ia enganando a vida.E assim, pareço mais pobre para quem me olha, mas felizmente mais rico para quem vê; mais triste para quem me olha, mas muito mais feliz para quem vê.
Estou portanto a reduzir-me do “material” excedente, libertando espaço de alma para material afectivo.
E vou olhando, e cada vez mais vendo quem em matéria de afectos o ser humano é inesgotável.
Chamem-me burro, mas acredito, que a matéria de que somos feitos, vale infinitamente mais, do que qualquer matéria (objecto) fabricada pelo Homem, excepção feita às artes e à ciência que são o que de melhor há no mundo, o resto é lixo...