Lurdinhas, se te digo que és linda é porque és! Não me digas que é exagero meu, que estou cego de paixão e te vejo linda por causa disso! És linda, ponto!
Vejo-os da minha mesa, a Lurdinhas vermelha como um tomate, o rapaz como um tomate vermelho.
O rapaz não dá tréguas, Lurdinhas que te amo, que te quero, que te desejo! Ela não abre a guarda, não sei Carlinhos, tenho medo, tenho dúvidas!
Penso que tantas vezes fui “Carlinhos”, que quase sei o que ela vai dizer a seguir!
Sufocas-me Carlos, preciso do meu espaço e de tempo para pensar! Foi o que pensei, e foi o que ela disse! Não fiquei contente de o ter adivinhado, mas triste por achar que, com a minha idade, já não há nada de novo aqui (debaixo do sol)...
O rapaz faz-se irritado, simula uma saída de cena, mas quando se levanta entorna o Sumol em cima da mesa. Volta a sentar-se, limpa a mesa, esfrega as calças com guardanapos. Reparo que ela o olha com ternura, e que engole a vontade de rir! Ele apercebe-se e faz-se orgulhoso. Como uma ostra, larga a pérola: Lurdinhas, és a mulher mais linda a norte e a sul do equador! Ela olhou-o desconcertada. Penso que afinal sempre há algo de novo aqui (debaixo do sol)!
Por isso sorri, quando no dia seguinte, vi o Carlos a “galope”, em direcção à igreja, com algumas velas na mão como um pagador de promessas. E, sorri ainda mais, quando soube que a Lurdinhas que lava cabeças no salão Maribel, tira à noite na faculdade, uma licenciatura em geografia!
Há sempre algo de novo aqui...