Palavra de honra que dava um
bracinho, o direito não, talvez o esquerdo, se bem que bracinho é capaz de ser
exagerado, um dedo, pode ser um mindinho, para ter essa tua insuportável
serenidade de te arranjares para sair, quando eu já pronto no sofá a bufar
fúrias pelo cigarro, vou maldizendo a minha sorte. Dava um mindinho, para ter a
tua calma eucarística parecida com a dos ministros de Deus, que depois de
bebido o sangue, passam com o guardanapo no cálice que tempos, indiferentes ao
rebanho de joelhos, ansioso por se erguer, na tranquilidade sagrada de uma vaca
na Índia. Normalmente tu no duche primeiro, inocência minha, para te
despachares mais depressa, eu a seguir, mas rapidamente te ultrapasso no
espelho da barba, onde ficas horas a tentar compor o enrodilhado do rosto, na
esperança de regredires até ao rosto daquela fotografia de quando tu vinte
anos. Não te censuro, envelhecer é dramático. Gosto bem de ti assim, velha e calma,
mas não te acalmes de mais, porque morro dos nervos da tua calma.