quinta-feira, 11 de julho de 2013

Dia 95


Palavra de honra que dava um bracinho, o direito não, talvez o esquerdo, se bem que bracinho é capaz de ser exagerado, um dedo, pode ser um mindinho, para ter essa tua insuportável serenidade de te arranjares para sair, quando eu já pronto no sofá a bufar fúrias pelo cigarro, vou maldizendo a minha sorte. Dava um mindinho, para ter a tua calma eucarística parecida com a dos ministros de Deus, que depois de bebido o sangue, passam com o guardanapo no cálice que tempos, indiferentes ao rebanho de joelhos, ansioso por se erguer, na tranquilidade sagrada de uma vaca na Índia. Normalmente tu no duche primeiro, inocência minha, para te despachares mais depressa, eu a seguir, mas rapidamente te ultrapasso no espelho da barba, onde ficas horas a tentar compor o enrodilhado do rosto, na esperança de regredires até ao rosto daquela fotografia de quando tu vinte anos. Não te censuro, envelhecer é dramático. Gosto bem de ti assim, velha e calma, mas não te acalmes de mais, porque morro dos nervos da tua calma.