Ainda não adormeço no teu colo, mas lá tenho a felicidade do sossego. Perdem-se colos a vida toda e há muitos onde não encaixamos, e tantos que nos fogem se lá cabemos.
Sinto-me no princípio de tudo, como quando acordamos e não temos passado nenhum. Um acordar de nascimento.
Não tenho saudades, e preferi-las-ia a esta falta quase ortopédica de amputado, a quem não perguntaram se assim gostaria de estar no mundo, manco de amor e afecto, a mendigar carinho de esmola.
A saudade brilha lágrimas nos olhos, a falta escorre-nos cara abaixo.
Por te conhecer descobri que não tenho idade, por te amar descobri que sou eterno, como num colo de mãe ou numa “roda” de tias.
À vida não peço nada, perdoem, minto, peço apenas que me não tire, mas não peço nunca que me dê.
À força de tanto me tirar, deu-me aquele fino sol de março que nos aqueceu de invernos que vivemos. Bendito fevereiro, que tinha afinal prometido, o futuro que agora somos.