sexta-feira, 12 de abril de 2013
Dia 93
Tem dias que te vestes de
cinzento, com a alma de fato escuro e puído. Não admites sequer uma florzinha
na lapela. Parece que a morte te visita e te atira para o sofá com uma manta de
mortalha. Quando assim é, anoiteces tudo à volta. Eu sei que a morte nos visita
sem avisar e muitas vezes se senta à mesa connosco. Por isso nesses dias não
comes, mas fumas para te alimentares na exacta e exagerada proporção com que
ela te suga as forças. Hoje mora contigo, por isso, tem dias, tem dias não,
todos os dias te visto de cores de céu e a alma de cores da terra. Admites-te
um florzinha na lapela, apesar dos meus olhos de mar.
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