Como gosto de te ver pela casa, numa corrida
mansa aos saltinhos, mais na ponta dos pés, a evitar a tijoleira fria. Como
gosto de te ver assim menina, despida do mundo, a seres só para nós, a fazer do
amor o que ele é, e a não querer mais. Porque mais é o que fazemos dele, porque
ontem já era tanto, que sendo mais poderia rebentar-nos no peito. Ainda assim é
maior todos os dias. Julgo que, porque se não cresce morre. Como plantas, morre
por aí amor todos os dias. Esse deve ser amor de estufa, amor cómodo e
contratado. Uma espécie de amor manjerico que se perturbado por uma inspiração
de nariz, morre ainda antes do S. João.
O nosso
não é melhor que nenhum. É grande, é muito, é mais, tão mais que nos excede.
Isto não é
uma declaração de amor, sou eu a querer fazer caber em letras aquilo que não
cabe sequer em palavras.