Uma
vontade de paz, uma vontade de sair dos círculos concêntricos das tuas
neuroses. Há alturas em que pareces de loiça, tenho que te amparar em plásticos
de bolhinhas de ar e de esferovite, e transportar-te em caixotes de paciência
com setas de frágil apontadas para cima. Mas ainda assim, como gosto de ti.
Vidas de paciência que perdi dentro de uma só vida. Mas não te trocava por
nada. Ainda que com oitenta e dois anos, as tuas birras são de vinte, eu, ainda
que com oitenta e três, irrito-me como com trinta. E nisto uma vida inteira,
não me importava de duas vidas inteiras. Agora na cabeça, uma doença de
esquecer, esqueço-me até do neto que está para aqui a escrever, foge-me o nome
por debaixo da língua, mas nomes esquece toda a gente, o amor não esquece nada,
e quando tudo em mim escapar da língua, não esqueçam,
-
Olhem-me com o amor dos olhos.