Já
estava no sofá quando chegaste, ouvi a porta, o tlim das chaves no vidro da
mesa, os tacões no soalho, depois só um tacão no soalho porque tu ao pé coxinho
a tirares o outro, dois ou três suspiros profundos, um
- Olá
sem
vida, ao entrares na sala, onde pousas a carteira na poltrona, como se carteira
fosse gente, e eu menos gente ainda que carteira. Eu a procurar um beijo de
lábios em repuxo, mas afinal caem-me na testa, frios e secos.
Quando
é que isto acabou Teresa?
Não
alto, para mim
Quando
é que isto acabou Teresa?
Continuas
os rituais, agora tens o gancho pendurado na boca, cabeça para baixo, mãos na
nuca a juntar cabelos. Não me lembro de cabelos soltos em casa. A televisão
aborrece-me. Tu finalmente no sofá, invariavelmente na outra ponta, não que
seja muito grande, mas ainda assim um lugar a separar-nos.
Quando
é que isto acabou Teresa?
Os
miúdos já deitados. Tu com uma revista de moda ao colo, o nosso olá já passou
há tanto tempo, tu ao telefone com uma amiga num olá bem mais quente e
prolongado que o nosso, ou será um amigo, o sorriso bem mais aberto, talvez um
amigo. Eu nulo, eu nada, um zero na matemática do sofá, eu quase
-
Quando é que isto acabou Teresa?
mas
coragem nenhuma, fôlego nenhum, eu
- Vou
dormir amor
tu
- Quando
é que isto acabou Pedro?