sábado, 28 de junho de 2014

Dia 112

Não fosse tarde e escrevia-te uma carta, cheia de nomes. Feios. Não daquelas,
Ó vil mulher que meu coração dilaceraste...
Porque estas demasiado educadas e poéticas, ao jeito de poetas sofredores de outros tempos. Esta seria mais moderna (ao teu jeito), cheia de nomes feios e palavrões cabeludos daqueles que até fazem cócegas nos ouvidos. Era o que merecias. Não fosse já tarde era o que levavas. Acontece que o eu moderno se incompatibiliza com o eu poético e sofredor de outros tempos, e a mão foge-me para,
Ó vil mulher que meu coração dilaceraste…
E continuo a passar na tua rua de vez em quando, a tentar ver-te para lá da fortaleza dos muros. Nunca te vejo.
Sucede que há dias, passei lá de novo, como sempre não te vi, mas desta vez o teu carro à porta, reparei que todo sujo, com o vidro de trás todo empoeirado, mesmo a pedir um dedo escrevedor de puto malandro que lá deixasse um,
“Lava-me porco!”
 E como o meu eu puto se incompatibiliza bastas vezes com o meu eu adulto, saí do carro, e sorrateiramente desenhei a clássica frase. Estaria tudo bem se o meu eu moderno não se deixasse superiorizar pelo meu eu poético e sofredor de outros tempos dado que,
“Lava-me ó vil mulher que meu coração dilaceraste”
não me parece bem um insulto, nem sequer um nome feio.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Dia MRP


Ó Marta, não olhes agora, no fundo do balcão aquele giraço, cabelo de surfista, o loiro com nuances de cobre. Giro não? Aquele pulôver rosa velho pelas costas, camisa branca bem aberta no peito depilado, o tipo dá cabo de mim, vou já pedir outro cosmopolitan. Que homem Carminho, e o Vicente como está isso? Ah, passou lá por casa para buscar as coisas, não quero saber, por mais que o avisasse deixava sempre a tampa da sanita aberta e umas pingas que me deixavam à beira de um ataque de nervos, para não falar no futebol e nas cervejas com os amigos. És uma romântica Carminho, não páras de procurar o príncipe encantado! Dizes bem Marta, se há coisa que costumo dizer é: não desistas nunca de procurar o amor porque há sempre um príncipe para cada princesa e pode aparecer a qualquer esquina! So true! És demais amiga, devias começar a escrever isso, quem sabe um dia até um romance. É, “Sei Lá”, Há Sempre Uma Primeira Vez” , “Vou Contar-te um Segredosabes que “Pessoas como Nós” procuram sempre “Onde Reside o Amormas sinto-me como um’ “A Rapariga que Perdeu o Coração”, “O Amor é Outra Coisa Marta, preciso de um “Português Suave “ que me ame verdadeiramente. Hoje aquele gato ali a olhar para mim, é como costumo dizer: “Não há Coincidências

 Nota do editor:
O autor sofreu um ataque de margaridarebelopintice. Pelo facto pedimos desculpa.