Não me apetece nada ir à festa com os teus amigos... Ficava aqui sossegado e tu ias sozinha, provavelmente divertias-te mais! Só de imaginar vestir o smoking e ficar com aquela faixa de forcado amador ao redor da barriga a comprimir-me as entranhas... Mas tu achas o máximo, todo este espalhafato, vai estar lá o ministro, o administrador, e tal e tal... Não gosto de conviver com ministros e administradores, nem de Deus nem de condomínio.
Vão estar lá aqueles teus amigos (super novos e super giros) todos também de forcados amadores, a tentarem pegar-te, seja de caras seja de cernelha... Eu vou ficar incomodado... Sabes porque me irritam os teus amigos, não sabes? Não te lembras? Pronto eu digo-te, não gosto porque são uma cambada de presunçosos, meninos ricos da cidade, que sabem tudo, opinam sobre tudo, acham tudo muito interessante, discutem acções e taxas de juro, carros e barcos, viagens e férias! Não me reconheço em nenhum! Sou calado, as conversas aborrecem-me, distraio-me a meio, e fico a acenar com a cabeça...
Portanto parece que não tenho remédio, fato de macaco de rico, com uma faixa preta em redor de mim, um másculo lacinho de seda, um sapato de verniz brilhante a lembrar primeiras comunhões, poupa esculpida a gel, e lá estou eu, de forcado entre forcados, todos a quererem ser o primeiro ou segundo ajuda nas pegas que vão fazendo às mulheres e eu por aqui a dar ares de sonso, porque para vos ser franco, sempre desejei ser o oitavo forcado... Sim aquele que fica atrás, e a quem chamam o rabejador!