A vida sem ruído, toda a vida sem ruído! Como tento! Mas tanto, tanto ruído! Fico a tentar ouvir o silêncio, perto do silêncio de eu criança, a fechar os olhos para dormir. Para dormir, não para tentar dormir! Eu adulto tento, eu criança durmo. Agora um berbequim no andar de cima, depois um berbequim na alma, a furar-nos a pedra do nosso silêncio, a esculpir ansiedades. E o direito ao silêncio? Não haverá tribunal nenhum que o defenda? Só silêncio. Uma vida em que o meu peito não seja um amplificador do ruído, e a minha cabeça uma caixa de ressonância de todos os barulhentos, que como os cães são os que menos mordem, mas cujo ladrar incomoda. O meu silêncio acaba onde começa o vosso ruído. Fazeis barulho por tudo, e o quê, por um silênciozinho de nada?
A vida toda sem ruído, para ser o mais próximo de mim, e de ti, e de ti, e de ti. Se eu fosse “Miss”, diria que um silêncio pode acabar com a fome e até com a guerra, como não sou digo-o também! Tchiu!