quarta-feira, 30 de março de 2011

Dia 33

Numa manhã qualquer, acordei abraçado a ti! Feliz abraçado a ti!
Eu, que nem em miúdo adormecia ou acordava abraçado a nada nem a ninguém. Nem a um urso, nem a uma fralda. Talvez só a chupeta a absorver-me a ansiedade…
E de repente acordo como adormeci, abraçado a ti!
A ti que nem te conheço bem, ou conheço? Não tenho essa pretensão…
Dou-me conta de que a intimidade veio contra nós! Pela partilha e não por razões da razão ou coração! A intimidade dá-se partilhando, assim nos partilhamos, assim ficamos íntimos… Assim comungamos o mais perto do “eu”.
Celebramos o amor do mais perto de “nós”… Despidos pela intimidade.
Dei-te a confiança do meu sono…
A privacidade de “mim”…
A convivência do “eu”…
Agora vives no meu mundo e eu no teu.
É amor isto que eu sinto!

segunda-feira, 28 de março de 2011

Dia 32

Tenho dezenas e dezenas de canetas e esferográficas. Só uso duas. Uma para trabalhar, outra para te escrever.
A caneta para trabalhar, já sabe o que vou escrever, e vai-me dando dicas de sinónimos, adjectivos, dicas de pontuação… Está sempre a avisar-me que quase não uso o ponto e vírgula, salta de propósito para me fazer mudar de parágrafo, põe-me entre aspas as citações e muitas vezes põe um ponto final, e recusa-se a continuar (tem mau feitio). É uma caneta fria e cruel, que me obriga a ser claro e objectivo, sucinto e esclarecedor!
A outra com que te escrevo é uma libertina! Corre solta no papel, nada me impõe, nem me subjuga aos ditames gramaticais, só me dá dicas de palavras que rimam, se escrevo amor ela propõe: Dor? Calor? Tremor? Usa com exagero metáforas, hipérboles e pleonasmos. Perde-se imensas vezes, e deixa-me vaguear e saltar linhas, nunca exige pontos finais, e o seu terminar favorito é com reticências…
Por isso quando acordei ontem e me dirigi à cozinha, a minha empregada Conceição, com cara de poucos amigos (ou mesmo nenhum), me atira o papel do recado que lhe deixei para as compras da semana, e quase gritando me diz, não esperava isto de si doutor (a Conceição não sabe o que faço), sempre o tomei como uma pessoa séria! E a chorar tira o avental e sai porta fora, a gritar que se despede e que não vem mais!
Baixo-me para apanhar o papel, ridículo no meu roupão e leio:

Meu amor,
Quejo
Leite
Papel higiénico…
Espero-te ansioso no nosso ninho…
Lixívia
Iogurtes
Acho que nunca te disse, mas desejo-te muito!
Bolacha Maria
Gelado de limão
Com todo o meu amor,
Terna e eternamente teu,
Eu…

Lá se foi a Conceição… E a ti minha libertina parti-te o aparo!

quinta-feira, 24 de março de 2011

Dia 31

Tomo o pequeno-almoço contigo. Tu na rádio, eu em casa. Nos teus cinco minutos de economia, fazes música (pimba para os meus ouvidos) com “nasdaques” e “psi vintes”, mas continuo sem perceber porque é que nos Estados Unidos o barril é de petróleo e em Inglaterra é de brent. Sem perceber porque é que quando todos os mercados sobem, o nosso desce…
Penso em tudo o que sabes e eu não…
Reparo que em cima do micro-ondas estão uns brincos, sim, esses mesmos que tiras antes de fazermos amor… Não me recordo de o fazermos na cozinha… Ponho-os na palma da mão, sem perceber como os seguras nas orelhas, têm uma espécie de mola… Tinham! Caíram agora ao chão (mãos inábeis as minhas), e uma das peças rola sozinha para debaixo do frigorífico, volto a pô-los no sítio, juro que não os vi!
Na sala, um lenço teu no sofá, um livro teu na mesinha… Começo a perceber como se faz uma teia…
Na casa de banho, um rímel, um champô e um amaciador, e cremes improváveis…
No quarto uma gaveta já é tua…
Mexo em tudo com a sofreguidão de um vagabundo num caixote de lixo, e com a curiosidade de uma criança numa gaveta de adulto…
Primeiro a trama depois a teia… Não me sai da cabeça… Primeiro a trama depois a teia… Na casa de banho em frente ao espelho. No espelho sou canhoto, deste lado sou destro… Primeiro a trama… Olho dois frascos iguaizinhos… Depois a teia… Um diz creme de dia, o outro diz creme de noite (nunca entendi como o creme distingue se é dia ou noite)…
E se for, primeiro a teia e depois me trama?

terça-feira, 22 de março de 2011

Dia 30

Sol. Muito sol. Saio de tua casa e entro no elevador. No elevador olho sempre para o chão. Entra um teu vizinho perfumado de after shave, no mínimo insuportável, e de gravata verde com o Piu-Piu estampado a amarelo florescente. No elevador, quando acompanhado, olho sempre para cima. A minha educação sobrepõe-se ao meu estado de espírito e solto a banalidade, parece que chegou o verão Sr. Moreira! É verdade doutor (o Sr. Moreira não sabe o que faço), mas diz que já chove na quarta-feira! (diz com orgulho de agente infiltrado no instituto de meteorologia). A minha educação não se sobrepõem à irritação, e mantenho-me calado, limito-me a levantar-lhe as sobrancelhas.
Saio do prédio, e ando sem destino, e penso que triste deve ser o Sr. Moreira! Para ele o sol de hoje (segunda-feira) não brilha, enublado pela previsão de chuva na quarta…
 Acho que temos todos um Sr. Moreira a morar em nós! Mais do que a vida, são os Moreiras que nos castram, é a previsão do futuro a atrapalhar o presente, maldito boletim meteorológico!
Passados dias subi no elevador com o Sr. Moreira e com a sua mulher (a minha Dores, ri-se malandro, com o trocadilho), e eu ingénuo soltei a banalidade, hoje parece um dilúvio! Estamos no tempo dela, solta o Moreira! E para acabar de vez com a minha paciência, diz a Dores, e ontem doutor, ontem é que parecia o fim do mundo!
O casal Moreira, continua a estragar todos os dias da sua vida, com as chuvas passadas e com as que hão-de vir, puxam a cada dia todo o passado mau e todo o futuro incerto para junto de si, e não entendem que, em vez de viverem, morrem todos os dias…
Eu já tomei as minhas precauções! O casal Moreira que habita o condomínio da minha alma, já tem uma acção de despejo, por incumprimento da regra número um dos estatutos do condomínio: “tentem ser felizes”.
Pena tenho, que a justiça neste país seja tão lenta!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Dia 29

Mãe, porque corres de um lado para o outro na cozinha? Estou aqui, vim ver como estavas, e tu de um lado para o outro! Sei que o pai está doente, na cama, e isso te preocupa, mas eu estou aqui, pequenino a pedir mudo que me olhes!
Descascas e lavas sempre a mesma cenoura! De um lado para o outro, de um lado para o outro. Tens medo de me olhar e que os olhos te escorram pela cara abaixo, é isso!
Eu quando entro aqui fico pequenino, nesta casa, nesta cozinha, não percebes?
Preciso de mãe! Preciso que me dês duas malgas de marmelada, me fales da tia Bé, me contes dos últimos esquecimentos do pai, que se lhe vai a memória, que me perguntes se tenho alguém, que me critiques a preguiça, que me agarres a cara, a detestar a barba por fazer, a “penicar” o borboto da camisola, a amassar o cabelo e a puxá-lo para o lado… Preciso do amor das coisas pequenas…
Só te vinha contar da Sara, e vinha buscar duas malgas de marmelada…
Tu parece que adivinhas a Sara… Estás com ciúmes é isso!
O Chico disse-me que andas aí com uma moça… E muito mais nova que tu!
Mingo até te chegar com o braço ao avental….
Mãe? Porque é que as malgas de marmelada dizem sempre “ Caldo Verde”?

sábado, 19 de março de 2011

Dia 28


No banco do meu carro. No lugar do “pendura”, sentaram-se já os rabos de praticamente todas as pessoas que amo e amei, e sentar-se-ão provavelmente os de quem amarei. Avós, pais, amigos, namoradas, primos, tios... As costas de todos eles estiverem coladas naquele lugar, costas que abracei, de amor, amizade, paixão e até desamor e compaixão. No espelho da pala já se reflectiram os seus sorrisos, enfeitaram-se lábios, arranjaram-se cabelos, retocaram-se maquilhagens... De velhos e novos, gordos e magros, altos e baixos que amo e amei...Naquele lugar do “morto” sobreviveram  todos, fora dele não... O cinto daquele banco atravessou o peito de todos eles, e prendeu-lhes a vida prendendo-me também a mim... O botão da luzinha por cima desse banco, tem a impressão digital de todos eles, portanto tem então também a minha. Aquele lugar foi palco de vida,  do romance à tragédia, tudo aconteceu.
 Naquele lugar, naquele banco, estiveram quase todos, e é por isso que quando me sinto só, com uma solidão de morte, sentindo-me perdido de tudo, me sento naquele lugar, e devagarinho olho para esquerda, desejando que eu lá esteja...Para que me encontre!

sexta-feira, 18 de março de 2011

Dia 27

Novilho para estufar! É o que diz a caixa no meu congelador, numa etiqueta às flores, que tu deixaste, para que eu coma. Tu sempre a pores ordem no meu mundo, para que coma, para que beba, para que durma (preocupam-te os meus ciclos de sono!), para que mude de camisa, para que não me esqueça de fazer a barba. Alcatra para bifes! Diz noutra. Fico a pensar se me achas acriançado ou só distraído. Também já dominas o meu guarda-fatos, deixei de ter só camisolas azuis escuras, e passei até a ter uma camisola amarela (fica-te tão bem com as calças beijes de bombazine). Já tenho meias azuis, castanhas, cinzentas, e não só as pretas do meu agrado... Agora sapatos de berloque não! Isso é demais, e como demais é erro, não entras mais no meu guarda-fatos! Há limite para tudo e o berloque excede-o! Um dia destes ainda me pedes, um carro muito giro como tem fulana, um pequenino e cor-de-rosa, que vem nas revistas, não isso não...E temos motorizações excelentes com consumos incríveis... Eu a dizer que não com a cabeça...E a menina pode escolher os interiores temos este de veludo....E eu a dizer que não e que sim ao mesmo tempo... E pode vir buscá-lo amanhã... A minha cabeça a dizer sim... O cheque à ordem de? Eu a detestar o maldito piolho disfarçado de carro... À ordem de, Auto...Eu a suar... Irmãos Lda...Parabéns, sorri o gajo! E saímos do stand tu de “Barbie” orgulhosa eu de “Ken” furioso!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Dia 26

A meio da semana, a meio de um trabalho importante, ligas-me para que passe em tua casa para mudar umas lâmpadas, arranjar umas tomadas e tomar café. Aceito imediatamente o café e tento demover-te da vontade de que seja eu a fazer o resto. Não sou de todo o rei da bricolage. Nem sequer súbdito consigo ser. Uma caixa de ferramentas encerra em si mais mistério e segredo, que uma caixa de música, com uma bailarina em pontas a rodar constantemente, de um qualquer filme de terror. Aceito contrariado e pego na maldita caixa que a única coisa que tem de bom são todos os autocolantes com números de telefone, de electricistas, canalizadores, limpa chaminés e biscateiros quejandos, que colei a toda a volta.
Toco à campainha sorrateiramente, a disfarçar aquela caixa vermelha de vergonha, e a desejar que a porteira não me confunda com o homem que vem arranjar os elevadores. Abres-me a porta de sorriso tão aberto, que fico da cor da caixa (acho que ainda te ouvi dizer: que fofinho!). Durante o café tento convencer-te de que é melhor ligares para um electricista, não te convenço, mas assim que “mandei” a luz a baixo, ouvi logo o som das teclas marteladas com força no telefone.
Enquanto o homem pendurado no busca-pólos trabalha, olhas-me com amuo e desdém. Dizes-me ao ouvido, um homem que não sabe mudar uma lâmpada! E eu armado da última lança de orgulho digo-te baixinho: Pede ao electricista que te escreva um poema, pede a ver se ele sabe, ou que te recite Camões, vá pede, pede!

terça-feira, 15 de março de 2011

Dia 25

Eu acordo. Tu amanheces. Eu acordo depressa, só para te ver amanhecer. Desenho-te com a mão sem te tocar… Escondo-te o cabelo por trás da orelha. Pergunto-te como correu o assalto. Abraço-me atrás de ti. Sr. Agente, eu não vi nada. Tu ainda a amanhecer. Não Sr. Agente, não dei pela falta de nada, nem ninguém a rondar a casa (demasiado grande a casa) …
Sorris-me com um bom dia cheio de pontos de exclamação. Despacho o homem do crachá. Contente cúmplice do teu assalto, e feliz na condição de assaltado! Dividimos o fruto do furto.
Eu acordo. Tu amanheces. Tu adormeces. Eu anoiteço.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Dia 24

Entras na minha vida de pantufas, sem bater à porta, sem pedir licença, devagar, devagarinho… Como um ladrão, entras pela porta da frente, desligas o alarme, para não me assustar, e eu a dormir… Sabes bem o que queres roubar, e eu sei bem o quero que me roubes, por isso deixei a porta aberta, tiras as pantufas e prendes o cabelo, eu já acordei, pousas na cama, mas finjo dormir, sinto o teu cheiro, mas finjo dormir, roubas-me um beijo, mas durmo a fingir, apontas-me os lábios ao ouvido e gritas em surdina, quero dormir contigo! Eu com um medo de morte de ladrões, grito para nenhum vizinho ouvir, levem tudo, mas não me façam mal!

sexta-feira, 11 de março de 2011

Dia 23

Passei a semana sem ti, a desejar o fim de semana, e tu dizes que não podemos estar juntos no fim de semana, eu digo que está bem, mas penso que está mal, que isto não pode ser assim, e já não me apetece chamar-te amor, chamo-te Sara só para irritar e ficas irritada, mas é o teu nome Sara, mas tu não gostas que chame o teu nome, e já desligaste o telefone e eu ainda irritado, depois furioso e saio de casa... E vou a correr fazer o que fazem as pessoas todas, compram jornais grossos e bebem café ao sábado de manhã, e o café a saber-me mal e o peso do jornal, que não vou ler, e o peso de não te ter, neste fim de semana, que desejei a semana toda, por causa do teu emprego, na rádio, que te absorve e que te engole, só gente bonita deve haver no teu emprego, na rádio, tudo gente da tua idade, e tu a achares-te bonita também, e eu a achar-me uma merda!
E já é domingo, e eu irritado, e toca a campainha, e não tenho ninguém para mandar abrir e vou abrir e és tu e eu furioso e tu sorris, olá Sara e vou para o sofá menos furioso, mas ainda irritado, e amuo, e na pressa de te mostrar o meu desagrado, não te beijei, e chamei-te Sara... Sara? Sara? E corro para a porta, e o teu carro já foi, e levou-te com ele!
Amanhã ligo o rádio e ouço-te...Amor!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Dia 22

Tive outros amores, antes e depois de ti Inês, e antes de ti amor, quase todos namoros convencionais…Sem grande história, bons mas não ao ponto de me surpreender, de me entusiasmar, de me fazer crer um pouco mais.
Lembras-te? Pouco mais que um verão! Amores que se enterram na areia, diz o povo, neste caso no outono, digo eu.
Para mim era verão, mas nem sei dizer as datas, e o teu nome, quase me esqueço. De ti nunca! Lembras-te? Encostados no sofá, só a mimar e a acariciar, senti aí a tua maior expressão de amor por mim, às vezes, e pensando que eu não me apercebia, seguravas-me o pulso e como um médico ouvias o meu coração, entre o indicador e o polegar, e dizias, bate certinho, e eu dizia, chegará o dia em que baterá ao mesmo tempo que o teu… O dia não chegou…. Mas chegaria….

segunda-feira, 7 de março de 2011

Dia 21


Perfeito. Ser perfeito? Fazer tudo e todo o bem, mesmo que não tenha jeito?         Mesmo que de bem, tenha nada feito?
Não! Este mundo é feito de pessoas normais...
Imperfeito! Sim! Quero! Obra por acabar, como a “Sagrada Família” de Gaudí,         cheio de andaimes e taipais... Pintura a que falta tinta, verso por rimar, último esforço para o recorde do mundo, última gota de um poço fundo, último estertor de quem morre no mundo, primeira refeição do vagabundo, primeiro grito de criança que vem ao mundo!
Tu o espelho dessa minha imperfeição, o melhor retrato de mim, a pores não, onde vejo sim, a dizer “assado” quando digo “assim”.
A desenhares-me todos os dias, acrescentando ou apagando um traço nesse desenho de mim, ou não fazendo nada... Que de me retratares tão imperfeito já nada pode ser feito, então tens que escolher... Ou este retrato, ou nada feito!         

domingo, 6 de março de 2011

Dia 20


Olha aquele casal novo a olhar para nós, vejo-os a cochichar... Deve ser de nós, olha aquele velho com uma rapariga, devem estar a dizer... Não tenho culpa de teres cara de menina e um sorriso sempre cravado no rosto... Tenho culpa é de estar a pensar nisto, e de me preocupar. Tu não pensas de certeza, estás aqui tranquila e feliz, mão na minha, teu namorado... Estranho, namorado, parece palavra adolescente que soa mal no ouvido adulto. Palavra volátil, designa várias pessoas de tempos diferentes, e susceptível de enumeração, primeiro namorado, segundo namorado, terceiro namorado... Seja homem, pronto!
Andamos junto ao rio, água sempre perto, como elemento de renovação. Sol em nós, pés na terra e o ar que nos inspira! Quatro elementos, cinco sentidos, seis para ti... Quando estes cinco, seis para ti, sentem os outros quatro, e nós nos sentimos um só, caminha-se um centímetro acima do chão, e um centímetro abaixo do céu...                                                                        

sexta-feira, 4 de março de 2011

Dia 19


A minha irmã vai-se casar, choro e rio e rio e choro...
Um sem número de sensações caem em mim, sem saber como as gerir, coração analfabeto a aprender outros sentimentos, alma em reboliço a procurar a calma.
Vêm-me à cabeça imagens cheiros e sons de quando eras pequenina, e eu pequenino ao teu lado, achando-me grande para te proteger.
Chamar-te irmã é redutor, não há nomes para o amor que te tenho!
Para mim és muito mais do que irmã. Eras o “irmão” que desejava ter mas, que por desígnios por mim na altura misteriosos, foi parar à casa de uma tia.
Eras quem eu “esmagava”  no berço a brincar aos cavalos!
Eras das saias da mãe... Eras dos olhos dos pais...
Irmã do olhar tão parecido com o meu e que nos faz ainda mais irmãos!
Mana a brincar comigo, na praia, em casa, nos avós, em todo lado.
Mana que dormia comigo. Mana dos olhos meigos, mana do sorriso encantador, do riso contagiante. Mana generosa e  amiga.
Mana dos meus olhos, mana do meu coração, mana do teu irmão.
Mana com casa, já se casa e eu feliz, e ela também!
Mana eternamente apaixonada que me comove e me ensina!
Mana que acredita no amor eterno e eu também.
Mana que se casa.
Mana coberta de beijos do irmão que te ama, terna e eternamente...
                                                                                                

quinta-feira, 3 de março de 2011

Dia 18

Matas-me de te esperar… E quando chegas, parece que vens antes da hora…
Estou farto de esperar por ti! O meu tempo de cinquenta anos, passa mais rápido que o teu, não entendes? Não entendes, que tenho vontade de fazer tudo mais depressa, não percebes que o tempo sem ti corre mais rápido e me faz mais velho do que o tempo contigo? Pois, parece que não, espetas-me um beijo, e faço-me adolescente, mas sem borbulhas na cara.
O tempo torna-se mais lento. Consigo olhar para o céu e apreciar o azul. Consigo conversar contigo sem dizer palavra…Suprema arte de conversar, suprema arte de companhia…
Ficaste bem nas fotos que te tirei! Acho-te linda!

quarta-feira, 2 de março de 2011

Dia 17

Tenho um sorriso parvo na cara. Tão parvo e generoso que uma velha e distinta senhora me pisca o olho da mesa ao fundo. Esplanada e sol tímido. Disfarço envergonhado. Raparigas sós, de botas, gorros e adornos mais hippies, lêem livros franceses amarelos de velhos. Espero. Tento rabiscar umas linhas para um artigo que me encomendaram. Nenhum rabisco em forma de letra. Espero. É verdade que quem espera desespera, e é mentira que sempre alcança!
Mesmo sem relógio sei que estás atrasada, quanto mais não seja em unidades de afecto, essas não conta o relógio de pulso, mas conta o do coração!

terça-feira, 1 de março de 2011

Dia 16

Eu para minha casa, tu para a tua, começa a semana, tu com o teu indecifrável trabalho sobre economia e finanças, eu com mais uma semana para organizar as minhas coisas.
Ver aqueles caixotes todos apinhados, cheios de livros, cd’s, sapatos…Uma vida às costas como um caracol. E a sensação boa de ter tempo para arrumar tudo, sem os ditames de ninguém, tudo como eu quero! Ao mesmo tempo a impressão de que tudo vai estar assim até à próxima semana…
Falta-me o relógio. Mal deixei de estar contigo, senti a falta do peso no pulso, e a necessidade da consciência do tempo, das horas! A necessidade da vida como uma folha pautada com linhas de tempo definidas e tarefas para cumprir…
Fiquei agoniado!
Prefiro todas as folhas brancas que vivo contigo, sem necessidade de as limitar, cortar e marcar! Prefiro os desenhos que fazemos nelas, sem régua e esquadro, mas com a (in)certeza e a (in)precisão que o amor pode ter!
Adormeço, e sonho que arrumei tudo.