Dei tudo à mulher a dias! Tudo! Não me faças essa cara de primeiro-ministro demissionário! Dei tudo, quer pela minha saúde mental, quer pela minha integridade física!
Sim Sara... Hoje ao sair do banho escorreguei no tapete colorido com que me armadilhaste o chão em frente à banheira, sorte que não bati com a cabeça no lavatório, torci o pé, mas não morri... Entrei furioso no quarto e estavam os “teus” tapetes beges a circundar-me a cama, qual fosso cheio de crocodilos... Arrisquei um salto bem sucedido para aterrar na dita, e caí em cima da colcha que nos deu a tua mãe... Sim esqueci-me que não se podia molhar a colcha, e ficou toda manchada e amarrotada, ainda assim a mulher a dias levou-a! Sim a colcha, que custou um balúrdio, mas que atrapalhava os nossos “rounds” de amor, porque eram precisos cinco minutos para tirá-la e dobrá-la, e lá se ia o amor todo...
E eu sei Sara, que se assim continuassem, tapetes e colchas, sofás e toalhas de mesa, almofadas e cortinados, dizia, se assim continuassem, a estorvar-nos a vida... Lá se ia o amor todo, entre vincos e dobras, manchas e nódoas, em pés obrigatoriamente descalços, lá se ia o amor todo... Sei que compreendes que casas são feitas para serem vividas... Os museus sim, são feitos para ver, sem vincos e nódoas, sem manchas e dobras...
Ir-se-ia o amor todo...Agora dei tudo... Espero por ele todo de volta... O amor todo...