quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Dia 99

Como te conhecia há pouco tempo, portanto em fase de ganhar pontos na tua admiração, aceitei uma tarde de compras a dois. Para mim um recém namoro apaixonado e inesperado. Inesperado no sentido de a tua secretária ao lado da minha lá no serviço, e nunca sequer mais que um olá, circunstancial e simpático. Nunca atrevido ou insinuante como na televisão, daqueles que respingam sensualidade e antecedem um

- Queres jantar em minha casa na sexta?

Sucede que num dia de azáfama maior lá no serviço, o teu saca agrafos encrava e tu pedes o meu de empréstimo (o meu é daqueles que tem o meu nome escrito num papelinho colado com fita cola, que aqui no trabalho já se sabe, tudo desaparece), acto contínuo, o teu perfume entra por mim dentro com semelhante força que reparo que tu, respingando sensualidade, atiras

- Queres jantar em minha casa na sexta?
Começamos então a namorar e logo no sábado seguinte, dizes-me que precisas de ver umas coisinhas lá no centro comercial

- Umas nicas de nada.

Eu inocente fui. Fui, mas nunca mais vou! Que para mim

- Umas nicas de nada
não demoram sete horas a escolher, num entra e sai furioso das lojas, a cobiçar o que outras estão a experimentar, eu sem saber sequer o que procuravas. Enfim, resumiu-se esta eternidade a um pacote de elásticos para o cabelo (de cores variadas, mas só usas os pretos) e a um pijama com gatinhos (camisola e calça comprida) que contradiz o teu sorriso sensual. Portanto na segunda-feira quero o saca agrafos na minha secretária, se é que ainda o tens, e nunca mais me sorrias a respingar seja o que for. Percebeste?