segunda-feira, 11 de maio de 2015

Dia 117


Está ali em baixo, na rua perpendicular ao meu estaminé, um homem a tentar fazer de estátua, mas não consegue. Também está a tentar fazer de pirata e também não consegue. Só olhando atentamente se percebe que tenta ser pirata, e por conseguinte, de atentamente olhar apercebemo-nos que não consegue ser estátua. Não é tanto por se mexer, é mais por não conseguir estar parado. Há uma inquietude nele, por mais que tente não mexer, não pára quieto, balança constantemente, um niquinho para a frente um niquinho para trás, não resiste a olhar quem passa, e olha voraz para quem fuma, temo que saque do sabre a que se agarra e me ameace

- Um cigarrinho chefe

O suposto homem-estátua-pirata não tem nenhuma moeda. Temo pela vida de quem passa, derivado ao sabre. 
Se fosse pombo ajudava-o, planaria um pouco por cima dele e poisaria altruísta na sua cabeça, finalizando a caridade com um presente no ombro, que é suponho eu, o nirvana dos homens estátua.