Dá-me um bocadinho do teu
comunismo, que tenho vontade de gritar alto na rua. É que a vida acomoda a
gente, vai-nos calando devagarinho e põe-nos a praguejar contra a televisão.
Põe aí no gira-discos aquelas músicas um bocadinho comunistas, de que secretamente
gosto, e que trauteio de vez em quando meio envergonhado.
Chega-me aqueles livros da América
do Sul que sonham sozinhos e que de relê-los parecem escritos agora. Sabes que
com a idade a gente verga ao peso do dinheiro que não tem e ao do que tem também.
E aí os pés fogem para o chinelo na desilusão de não valer a pena. Por isso se não te importas, dá-me um bocadinho do teu comunismo, que tenho vontade de gritar alto na rua. Por favor, só um bocadinho, que me permita sonhar.