quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Dia nenhum


Resisti, resisti, resisti. Hoje não resisto. Os males de Portugal entram-me caneta adentro. Entram-me pelos olhos e ouvidos, batem-me no cérebro, ricocheteiam no coração e caem-me como pedras no estômago. O futuro é dia nenhum. Foi ontem. Cada dia que nasce anoitece mais depressa. O futuro é o passado. Esperança nenhuma à frente. Esgravato no fundo de mim um pequeno ponto de brilho que me permita escrever. Não encontro. Ando sem dia nenhum à frente. O desgoverno bate-me traiçoeiro nas costas, como um sopapo de mão gorda, e afocinho de queixos no chão, todos os dias. A corja mandante tem-nos de gatas e de calças nos tornozelos. Portugal recua. Eu resisto. Hoje não, porque em mim: dia nenhum à frente.