terça-feira, 14 de agosto de 2012

Dia 82


A praia ali, direita, quieta. Gente. Gente na água, na areia, entre a água e a areia, de mãos à cinta, de mão em pala na testa. O que me falta? O mar ali direito, não quieto, a entornar ora para lá ora para cá do mundo. A linha perfeita ao fundo a prenunciar a sua finitude, como se não soubéssemos que é quase redondo. E porque redondo se repete, dia e noite, vida e morte. O que me falta? Nós todos na areia, como que tombados de um ano de guerra, numa preguiça de foca. Está tudo aqui, no entanto algo me falta, julgo que aquilo que me embalava o berço, ou seja, a mão que me trazia à praia.