quinta-feira, 3 de maio de 2012

Dia 75


Começas a chorar uma tristeza pequenina e logo aparecem outras, pequenas e grandes, a escorrerem-te cara abaixo. Dizes que não é nada, que não é nada, que não é nada, mas eu sei que no meio das dezenas de não é nada, é de certeza alguma coisa. Sou um marido compreensivo, ando à tua volta a dar-te mimos, chego-te os lenços de papel,
- Pára de fungar amor
enrolo-te os cabelos por trás da orelha, ficas bem mais bonita assim. Preocupo-me. Continuam os não é nada, fico aflito, mais lágrimas a crescerem nos olhos, repito
- O que foi
várias vezes, bem como
- O que tens
E sempre o mesmo velho e gasto
- Não é nada
a humedecer-te mais os olhos, e a mover-me ansiedades no peito.
Atiras um
- Não é nada sobre nós
o que me acalma mais um bocadinho. Arrisco um
- Então é o quê
E desmanchas-te num pranto de noiva abandonada no altar a dizer
- É tudo amor, tudo, tudo, tudo
Bates em segundos o recorde mundial de :”Nada a tudo a chorar com o marido ao lado”.
E não resisto, sabes que não resisto, cá vai
- Já te veio o período?
Perguntas
- Porquê?
Digo a abanar a cabeça
- Nada, nada, nada
e tu aos berros
- Achas que isto tem alguma coisa a ver com o período?
Respondo aos sins com a cabeça
- Tudo, tudo tudo.