Começas
a chorar uma tristeza pequenina e logo aparecem outras, pequenas e grandes, a
escorrerem-te cara abaixo. Dizes que não é nada, que não é nada, que não é nada,
mas eu sei que no meio das dezenas de não é nada, é de certeza alguma coisa.
Sou um marido compreensivo, ando à tua volta a dar-te mimos, chego-te os lenços
de papel,
- Pára
de fungar amor
enrolo-te
os cabelos por trás da orelha, ficas bem mais bonita assim. Preocupo-me. Continuam os não é nada, fico aflito, mais lágrimas a crescerem nos olhos,
repito
- O que
foi
várias
vezes, bem como
- O que
tens
E
sempre o mesmo velho e gasto
- Não é
nada
a
humedecer-te mais os olhos, e a mover-me ansiedades no peito.
Atiras
um
- Não é
nada sobre nós
o que
me acalma mais um bocadinho. Arrisco um
- Então
é o quê
E
desmanchas-te num pranto de noiva abandonada no altar a dizer
- É
tudo amor, tudo, tudo, tudo
Bates
em segundos o recorde mundial de :”Nada a tudo a chorar com o marido ao lado”.
E não
resisto, sabes que não resisto, cá vai
- Já te veio o período?
Perguntas
- Porquê?
Digo a
abanar a cabeça
- Nada,
nada, nada
e tu
aos berros
- Achas
que isto tem alguma coisa a ver com o período?
Respondo
aos sins com a cabeça
- Tudo,
tudo tudo.