quarta-feira, 21 de março de 2012

Dia 72


Andas para aí de um lado para o outro, numa ansiedade de noiva, preocupada com tudo à volta. Capaz de te dar qualquer coisa.
Preocupada com tudo à volta e nem reparas que tudo à volta não repara em ti. Vontade de te gritar,
- Olha para mim
e abanar-te até acordares, desse espiral de medos e ânsias em que te metes.
Difícil perceber, como com uma vida tranquila, consegues inventar tantos problemas.
Ainda outro dia um colega meu, amigo de problemas como tu, de repente,
- Dói-me o braço
não teve tempo de dizer mais nada, no dia seguinte já no caixote encomendado a Deus.
Acalma-te então, capaz de te dar qualquer coisa.
Gastas a vida nisso e ficas sem vida para mim. E em todos estes anos, fui-me cansando ao ponto de não falar, e tu nem notas que eu quieto, mudo, no sofá, apenas a observa-te, a ver como desfazes a vida sem dares por ela.
Um dia destes, capaz de me dar qualquer coisa, farto-me e vou. Aposto que nem te apercebes. Uma unha partida ou um botão descosido a distrair-te, e eu a sair de malas na mão. Aí sim, capaz de te dar qualquer coisa. E no dia seguinte estás num caixote encomendado a Deus com a recomendação: descansa em paz. Eu avisei-te.