Aquilo chega devagarinho, com floreados perversos. Primeiro uma febrícula, a indiciar uma gripe, que vai sendo levada com miligramas de paracetamol, a temperatura continua e começam os telefonemas para uma consulta,
- Este mês é impossível
Tenta-se, tenta-se. Vai-se tentando, até o tempo já ser demasiado, e aparece uma cunha para uma consulta.
Exames por todo o lado. Instalam-se receios nas nossas cabeças, vários corações em alvoroço. O doutor,
-Parece que vejo aqui uma pintinha
As nossas cabeças ainda não na pintinha, as nossas cabeças talvez numa tuberculose, numa pneumonia...
Cabeças lentas de raciocínio, sob um toldo de emoções.
Arrasta-se o diagnóstico, já sabem, mas não dizem. De repente mil angústias, cinquenta, cem, duzentos corações alvoroçados!
E quando menos se espera atiram-nos com um cancro para as costas, que nos esmaga contra o mundo! Digo-vos que nos esmaga mesmo contra o mundo! O filho da puta do bicho! O resto já se sabe...
Mas fica-me a martelar
- Este mês é impossível
sempre a martelar!
Bem sei que aquilo chega devagarinho, com floreados perversos. Primeiro uma febrícula, a indiciar uma gripe, que vai sendo levada com miligramas de paracetamol, a temperatura continua e começam os telefonemas para uma consulta,
- Este mês é impossível
Eu sei que não me devia martelar, mas martela! É que aquilo esmagou-me mesmo contra o mundo! O filho da puta do bicho!