terça-feira, 24 de maio de 2011

Dia 48

Da viagem que fiz de automóvel, sozinho, ficaram-me coisas tuas, pensamentos de ti. Conduzia (sozinho) e crescia a saudade, provavelmente porque guiava de costas para onde tu estavas. Provavelmente porque me ia embora de ti, para um sítio onde ninguém me espera. Um sítio que de tão só meu, está exactamente como eu quero, tirando tu...
A viagem percorreu todo o fim da tarde, e como eu gosto dos fins de tarde de primavera e verão! E aí, um pensamento de ti caiu-me na cabeça, a ideia do teu rosto (lindo, o teu rosto) e a ideia de que ele é o mais lindo fim de tarde da minha vida. Tem uma beleza escondida, que descobri agora, uma calma e uma ternura que se fazem num pôr-do-sol... O teu rosto é um pôr-do-sol eterno, que nunca se chega a pôr, fica ali, lindo, na fímbria do horizonte, uma luz de afectos, que se abre com o sorriso, que uns olhos de sol brilhante mais iluminam.
Eu aqui a querer explicar o teu rosto… Tonto… Eu aqui a querer explicar o teu rosto e só me lembro daquele sol a querer pôr-se e o teu rosto a não deixar, a mantê-lo ali, suspenso, perfeito, e eu, bem aventurado homem que posso vê-lo!
Eu aqui a esforçar-me, a querer explicar o teu rosto, e a caneta (hoje escrevi com caneta) a dar-lhe para o fim de tarde… Desisto! Segue, segue, que eu não me importo que escrevas sozinha, põe-me só um ponto de exclamação no final por favor.
É assim, um fim de tarde calmo, um pôr-de-sol que não se põe, e que carrega todo o bem de que és feita...
Ensina-me esse teu rosto!