- Leva-me
- Queres passar na minha mãe, comemos lá qualquer coisa?
- Leva-me só
Dou-te a chave do carro e sento-me no teu lugar… Peço-te que me leves, só isso! Leva-me e deixa-me ficar só contigo… Só quero ir…
Quem dera que me levasses para onde ninguém nos visse… Esta frase inteira, esta frase toda, dentro e a toda a volta de mim. Não quero a tua mãe, quero que me leves, não me perguntes, não, não tenho fome, não me perguntes nada, não quero saber para onde, leva-me só!
Estou cheio de carne assada, não, não tenho fome… Panados com arroz de tomate, se alguém me fizesse panados com arroz de tomate, mas não tu, alguém que me fazia panados com arroz de tomate, e nunca mais me fez…
Tenta levar-me então para onde ninguém nos veja, não sei se vais conseguir… Preocupas-te demais com amanhã, eu peço-te agora, leva-me! Leva-me dos fins-de-semana de carne assada, leva-me dos ovos mexidos de domingo à noite, leva-me dos olhos de toda a gente… Leva-me para a simplicidade de um colo em que nunca mais chorei, leva-me para a certeza deliciosa de uns panados com arroz de tomate, e para um beijo carinhoso, antes da noite, depois de um,
- Dorme bem filho!
ou
- Até amanhã se Deus quiser!