O que é isto que faço, sentado na ponta da mesa, que já foi de nós todos? Que é feito de vós? Não sinto o cheiro, onde está o assado? Estão cá os pratos, os copos... As argolas dos guardanapos com os vossos nomes... Quem quer sopa? Eu... Eu quero sopa, não sei se me estão a ouvir... Só um fundinho... Bonita ficava a casa, cozinha atarefada num chinfrim de panelas! É preciso uma faca! Eu posso ficar no sítio do costume? Falo, mas estou sozinho no sítio do costume... Que é feito de vós? Agora sim o cheiro, mas sem assado... Que bebem? O frigorífico está cheio de garrafas vazias... Água! Tenho que compor a despensa, apanham-me desprevenido... Mais branco que tinto, sempre mais branco, eu sei, deixa-me anotar... P’rá mesa! Tu ali, tu ali, tu aqui! Eu posso... Cuidado meninos, deixem passar, a travessa está quente! Eu posso ficar no lugar... Ela ali, ele ali! Quem traz guardanapos? Pois, fui eu a pôr a mesa, esqueço-me sempre, vou buscar... Se puder ficar no lugar do... Sim, e uma colher para o arroz... Agora que todos sentados, não vejo o lugar do costume...O meu lugar... Não, por favor, não me apareçam todos ao mesmo tempo, tenho que dar um jeito à casa, compor a despensa... O que faço sentado na ponta da mesa que já foi de nós todos...
Ouçam, peço-vos, por favor, para a próxima, avisem-me que não vêm jantar, pode ser?