quinta-feira, 24 de março de 2011

Dia 31

Tomo o pequeno-almoço contigo. Tu na rádio, eu em casa. Nos teus cinco minutos de economia, fazes música (pimba para os meus ouvidos) com “nasdaques” e “psi vintes”, mas continuo sem perceber porque é que nos Estados Unidos o barril é de petróleo e em Inglaterra é de brent. Sem perceber porque é que quando todos os mercados sobem, o nosso desce…
Penso em tudo o que sabes e eu não…
Reparo que em cima do micro-ondas estão uns brincos, sim, esses mesmos que tiras antes de fazermos amor… Não me recordo de o fazermos na cozinha… Ponho-os na palma da mão, sem perceber como os seguras nas orelhas, têm uma espécie de mola… Tinham! Caíram agora ao chão (mãos inábeis as minhas), e uma das peças rola sozinha para debaixo do frigorífico, volto a pô-los no sítio, juro que não os vi!
Na sala, um lenço teu no sofá, um livro teu na mesinha… Começo a perceber como se faz uma teia…
Na casa de banho, um rímel, um champô e um amaciador, e cremes improváveis…
No quarto uma gaveta já é tua…
Mexo em tudo com a sofreguidão de um vagabundo num caixote de lixo, e com a curiosidade de uma criança numa gaveta de adulto…
Primeiro a trama depois a teia… Não me sai da cabeça… Primeiro a trama depois a teia… Na casa de banho em frente ao espelho. No espelho sou canhoto, deste lado sou destro… Primeiro a trama… Olho dois frascos iguaizinhos… Depois a teia… Um diz creme de dia, o outro diz creme de noite (nunca entendi como o creme distingue se é dia ou noite)…
E se for, primeiro a teia e depois me trama?