sábado, 19 de março de 2011

Dia 28


No banco do meu carro. No lugar do “pendura”, sentaram-se já os rabos de praticamente todas as pessoas que amo e amei, e sentar-se-ão provavelmente os de quem amarei. Avós, pais, amigos, namoradas, primos, tios... As costas de todos eles estiverem coladas naquele lugar, costas que abracei, de amor, amizade, paixão e até desamor e compaixão. No espelho da pala já se reflectiram os seus sorrisos, enfeitaram-se lábios, arranjaram-se cabelos, retocaram-se maquilhagens... De velhos e novos, gordos e magros, altos e baixos que amo e amei...Naquele lugar do “morto” sobreviveram  todos, fora dele não... O cinto daquele banco atravessou o peito de todos eles, e prendeu-lhes a vida prendendo-me também a mim... O botão da luzinha por cima desse banco, tem a impressão digital de todos eles, portanto tem então também a minha. Aquele lugar foi palco de vida,  do romance à tragédia, tudo aconteceu.
 Naquele lugar, naquele banco, estiveram quase todos, e é por isso que quando me sinto só, com uma solidão de morte, sentindo-me perdido de tudo, me sento naquele lugar, e devagarinho olho para esquerda, desejando que eu lá esteja...Para que me encontre!