Perfeito. Ser perfeito? Fazer tudo e todo o bem, mesmo que não tenha jeito? Mesmo que de bem, tenha nada feito?
Não! Este mundo é feito de pessoas normais...
Imperfeito! Sim! Quero! Obra por acabar, como a “Sagrada Família” de Gaudí, cheio de andaimes e taipais... Pintura a que falta tinta, verso por rimar, último esforço para o recorde do mundo, última gota de um poço fundo, último estertor de quem morre no mundo, primeira refeição do vagabundo, primeiro grito de criança que vem ao mundo!
Tu o espelho dessa minha imperfeição, o melhor retrato de mim, a pores não, onde vejo sim, a dizer “assado” quando digo “assim”.
A desenhares-me todos os dias, acrescentando ou apagando um traço nesse desenho de mim, ou não fazendo nada... Que de me retratares tão imperfeito já nada pode ser feito, então tens que escolher... Ou este retrato, ou nada feito!