E assim fiquei nesta merda toda a tarde, às voltas no sofá com um cobertor de “mortalha”, onde me enrolava com preguiça...
E aquele tempo todo de liberdade que me impedia de mexer, porque quando o temos assim, estamos constantemente a adiar. Assim adormeci, e sonhei que era novo e usava calças de linho e um chapéu de palhinha, numa altura em que fumar não fazia mal e se matava a sede com cerveja... Acordo de repente com um terramoto localizado a um braço esticado de mim, o telemóvel na mesa à frente do sofá a vibrar furiosamente como se adivinhasse a urgência de quem me ligava. Era a Sara, voz doce e soprada que me arrepiava no ouvido – Posso passar aí? Claro disse eu, ainda a pensar se tinha tempo de um banho e a dizer mal do eu preguiçoso que não comprou boxers nem vinho e não tem nenhuma camisa desportiva para usar por fora das calças...