terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Dia 5


Assim se passavam dias e eu mais confuso que perdido. Todo o tempo de quem me deixou, passou a ser tempo para mim, e desabituado de tempo, paralisado pela liberdade.
Toda a métrica da nossa vida se desfez, o meu tempo já não rima com o teu. Mas se para ti foi escolha, para mim foi imposição e fiquei desemparelhado na rima, com demasiado espaço para os teus versos. Como preencher estes espaços, de versos teus? Talvez começar nova poesia. Impossível preencher os espaços de ti com versos de mim.
Mandei entretanto fazer obras em casa (grande de mais a casa) para torná-la funcional para um só, fechei alguns quartos (julgo que eram para as crianças...), de facto lembro-me agora que querias três, três filhos de nós, ou querias três filhos só de ti, sim só de ti, falavas continuamente nesse projecto de vida a dois, três, quatro. Mas não me recordo de lá estar ou da minha contribuição para ele. E eu que até quero ter filhos, mas tu apenas queres ser mãe.
Agora segue o teu caminho, parece que o tens. Eu estou óptimo.