Aquilo já nem era esperança o que sentia, era a crueldade da idade a entrar-me pelos olhos dentro, a desequilibrar isto que me está dentro da cabeça não sei se cérebro, se coração, se alma, tudo em mim mexia.
A dois passos de ti era diferente. Toda a terra torta a fazer-se redonda. O desassossego no teu peito adormecia e era sossego... Que assim fosse noite e dia!
Qual esperança, o pai já nem me conhecia ou então confundia-me, com irmãos sobrinhos e amigos, cérebro a fazer-se pedra! A ocupar-lhe todo o bem que lá há, placas consolidando-se sobre a massa que cinzenta escurece, metódicas a evoluir, aleatórias por não escolherem o lugar, sobre a massa que escurece, num homem sem escolha que se perde a cada dia. Qual eutanásia! Ele não se consegue matar quanto mais pensar e exigir.
Vai perdendo consciência de quem é e crescendo para alguém que nunca foi.