Só perto do mar me sinto assim, puto de pele morena e joelho esfolado, com o salitre a repuxar a pele, feliz tanto no mar como na areia.
Ao teu lado sou o mesmo puto.
O mesmo que descia estas dunas a correr e entrava na areia e entrava no mar, e me sentia feliz, genuinamente feliz, na areia e no mar, areia que comia e mar que bebia.
A mãe na barraca, à sombra, que o aumentar da idade já lhe diminuía a saúde, e a minha fome depois do banho, o pão com manteiga, dois , três, e mãe posso ir ao banho, não filho e a digestão, e amuar atrás do pára-vento e depois vêm os tios com a bola e já não apetece banho. Vai tu à baliza, e eu na baliza, sete passos, dois montes de areia, eu pequeno a sentir-me grande, a voar centímetros maiores que os metros do Yashin o "aranha-negra". Os meus tios todos Eusébios e Pélés, remates potentes e com efeito que eu ia defendendo como não sabia, a comer areia e a suar feliz!
Depois a casa da avó na praia, mangueiradas para tirar a areia, e um banho quente nas mãos de veludo da mãe, e pega na bicicleta e conquista o passeio, e outras crianças e outras bicicletas, a fazerem corridas e a fazerem-se felizes, porque sempre tivemos tempo livre para inventar e criar.
Assim quero contigo, tempo para inventar e criar, e fazermo-nos felizes.